Sejam bem-vindos ao blog da MAHACA!
Aqui iremos compartilhar conteúdos sobre moda e tudo que envolve esse mundo tão vasto e fascinante!
Para começar, trago a seguinte pergunta: por que a moda é importante?
Sabemos que a indústria da moda é uma das maiores do mundo e que emprega milhares de pessoas. Mas, essa grandiosidade também traz o seu ônus, entre eles: trabalho escravo e poluição ambiental. O ato de se vestir parece ser algo simples, sem intencionalidade. Porém, por mais que pareça um hábito comum, ele vai além. Por ser algo do nosso dia-a-dia, que talvez não desperte muita atenção e fascine apenas alguns, a moda faz parte da nossa vida e exerce uma função de grande importância, principalmente na indústria.
Entretanto, a importância que apresento aqui hoje possui um viés diferente. Muitas pessoas ainda possuem uma visão superficial e frívola desse mundo, mas ele é muito mais denso e complexo do que a futilidade que geralmente apontam.
Para quem não sabe, além de ser formada em Design de Moda, também possuo graduação em Relações Internacionais. Na época, cursei as duas faculdades simultaneamente e muitas pessoas não entendiam como eu conseguia unir esses dois assuntos que para elas são totalmente opostos. Não sei por qual razão e nem tive um momento de “virada de chave”, eu simplesmente decidi que queria estudar moda e também política. Para mim, moda e assuntos políticos, culturais e sociais não são opostos e sim interdependentes.
Essa minha paixão se refletiu no meu trabalho de conclusão de curso, no qual escrevi sobre a importância da moda francesa como um subsídio para a identidade nacional e exemplo de governança. Quanto mais pesquisava sobre o assunto, mais interessante ele se revelava. Meu objeto de estudo foi, principalmente, o papel que Maria Antonieta (uma austríaca) desempenhou no cenário francês e o quanto o seu guarda-roupa impactou na política nacional e mundial, fazendo a moda francesa ser considerada uma instituição no mercado do luxo.

Conforme estudava, entendia cada vez mais sobre o papel que as roupas desempenham. E esse papel vai muito além de cobrir os nossos corpos, elas retratam acontecimentos, transformações. A moda pode representar o controle social de uma época, a concepção dominante e também restritivas dos papéis do homem e da mulher e por aí vai… São quase que como ilustrações. Ao ver uma roupa, conseguimos compreender o momento em que ela está inserida, os costumes e valores de uma sociedade, de uma época: são representações. Individualmente, representam como queremos ser vistos, compreendidos. Em alguns casos, a moda pode ser interpretada como um símbolo de resistência não verbal. Ela faz parte da construção social da nossa identidade. Conforme Erner (2005) escreve em seu livro Vítimas da moda? Como a criamos, por que a seguimos, “A moda é um objeto perfeitamente legítimo para a disciplina que tem por tarefa entender o social” (p. 15).
Por essa razão, acredito que devemos dar mais atenção e lutar por uma produção mais consciente, responsável e justa. Sabendo do significado que nossas roupas exercem, não queremos vestir peças que tragam histórias de maus-tratos, trabalho escravo, poluição e exploração ambiental. Nunca antes, as nossas escolhas por marcas e forma de consumo esteve tão em evidência. Sendo assim, optar por empresas que realmente se preocupam com o presente e com o futuro faz toda a diferença! Afinal, qual o cenário que essas peças irão retratar para as futuras gerações? Finalizo com a frase retirada do livro Moda: uma filosofia: “O desenvolvimento da moda foi um dos eventos mais decisivos da história mundial, porque indicou a direção da modernidade. Há na moda um traço vital da modernidade: a abolição das tradições” (Svendsen, 2010, p. 25).