Olá!
Hoje é o dia do empreendedorismo feminino! A data foi definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014. O objetivo é dar ênfase ao protagonismo feminino e mostrar a importância das mudanças oriundas desse cenário, não só na economia, mas também no ambiente social. Mesmo diante de muitos obstáculos, o empreendedorismo feminino é também uma fonte de independência (quando não é a única fonte de renda da família).
Essa preocupação se revela também na Agenda 2030 da ONU, a qual o Brasil como signatário tem o compromisso de cumprir. Na referida agenda, dentre os 17 objetivos traçados, estão presentes metas como, a necessidade de estimular o empreendedorismo e de adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas, em todos os níveis de liderança.
Debater o empreendedorismo considerando o gênero, é uma forma de reduzir as diferenças entre homens e mulheres e buscar a equidade. A nossa atuação como empreendedoras quebra paradigmas vigentes por muitos anos, pois trazemos novas perspectivas, temos características diferentes e favorecemos a diversificação do mercado, além de contribuir na inovação.
O que é criticado por alguns, é interpretado como uma mais valia por outras empresas. As competências comportamentais mais desenvolvidas pelas mulheres são fundamentais para o sucesso de um negócio, seja ele seu ou não. Afinal, o empreendedorismo não é restringido ao seu próprio negócio. Podemos atuar de forma empreendedora dentro de uma organização, trazendo novas ideias, atuando de forma responsável e competente. Trata-se do intraempreendedorismo, que pode ser uma oportunidade de atingir uma posição de liderança feminina nas empresas.
E é justamente isso que o livro “Do nosso jeito: mulheres, liderança e sucesso” aborda. Escrito pela ex-CEO mundial da Chanel, ele defende que não precisamos nos moldar e nem agir como os homens para ter cargos de liderança ou mudar nosso comportamento quando chegarmos lá. Precisamos repensar a forma de liderança que valorizamos e ensinamos!

Mesmo tendo um dia dedicado especialmente para nós, ainda temos muitos desafios… Quando falamos em filhos, esse cenário se torna devastador. Nem mesmo a intenção de ter filhos costuma interferir na vida profissional dos homens. Já para as mulheres, o fato de ter filhos, ou apenas querer, é visto como um ponto negativo, pois pode comprometer a empresa, afinal, seu desempenho não será o mesmo. Além disso, por sermos consideradas mais “frágeis” emocionalmente, temos mais dificuldade em alcançar um cargo de hierarquia numa empresa. O trecho a seguir retrata justamente essa questão:
“Embora qualidades ‘femininas’ sejam às vezes mencionadas e até mesmo enaltecidas, elas geralmente assumem uma posição secundária com relação aos traços ‘masculinos’ mais concretos e voltados para resultados. Raramente reconhecemos o poder e a eficácia daquilo que muitas empresas definem como ‘atributos desejáveis’. Como resultado, tanto os homens quanto as mulheres aprendem a minimizar as qualidades que não correspondem ao modelo tradicional de liderança – colocando de lado os chamados traços de liderança femininos” (Chiquet, 2019, p. 222)
Pensando socialmente, a interação familiar e escolar, bem como as mídias, afetam a autopercepção das meninas, levando à construção de autoconceitos e crenças de autoeficácia que as distanciam da possibilidade de serem empreendedoras! Se a nossa escolha de carreira profissional começa lá na infância, é comum buscarmos referências compatíveis com o nosso autoconceito e escolhermos profissões que identificamos possibilidades de êxito a partir de nossas competências. Pode parecer algo simples, e até superficial, mas a boneca Barbie possui um papel de influência na construção das nossas referências. Tanto que, em 2014, a Mattel lançou a Barbie como empreendedora na coleção “I CAN BE”. São pequenos movimentos culturais, como esse, que trazem reflexões e estimulam a mudança na sociedade. E, considerando que artefatos culturais também educam, fico feliz com mais essa adequação da boneca ao tempo em que vivemos!


Para finalizar, trago mais um trecho do livro da Maureen e, junto com ele, a proposta de repensarmos o tipo de liderança que valorizamos. Quais as competências que os profissionais precisam ter para assumirem altos cargos? Podemos mudar/melhorar?
“Enquanto as qualidades mais femininas não assumirem um lugar idêntico nas nossas empresas, enquanto não for exigido que os líderes exibam as habilidades igualmente cruciais que muitas mulheres inerentemente possuem e das quais se valem todos os dias, enquanto não transcendermos rótulos desgastados, nem mesmo mudanças importantes nas políticas (empresariais) terão um impacto duradouro” (Chiquet, 2019, p. 223)